Acredito existir em cada um de nós Duas "pessoas": O Eu interior e o Eu exterior. O Eu interior é justo e consciente, enquanto o Eu exterior é ousado e um tanto cego. E há entre eles, quase sempre, Um constante desequilíbrio. Quando estou para seguir um caminho meu Eu interior desperta e previne ao meu Eu exterior dos perigos dessa caminhada. Mas o Eu exterior é ousado e às vezes finge não ouvir. E quando se machuca os dois choram: O Eu interior chora pela cegueira e ousadia do Eu exterior. e se entristece por ele não Ter ouvido suas palavras. E o Eu exterior chora também Pelo mesmo motivo, Pois compreendeu o erro de sua cegueira e de sua ousadia, e se lamenta por não ter ouvido as palavras do Eu interior. E entre os dois Passa a haver um silêncio angustiante. Mas em outras vezes ainda com as marcas do último caminho seguido, O meu Eu exterior deixa de ser ousado e ouve as palavras do meu Eu interior, E segue seus conselhos. E quando isso acontece há sempre uma luz no final da caminhada. E o meu Eu interior sorri por ter o meu Eu exterior Ouvido suas palavras e seguido seus conselhos. E o meu Eu exterior também sorri pelo mesmo motivo: por ter ouvido as palavras do meu Eu interior e seguido os seus conselhos. E entre os dois, o meu Eu interior e o meu Eu exterior, passa a haver uma paz serena e uma alegria profunda. (Enedino Gomes Bastos) |
